sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Romantismo multimídia



Introdução

O Romantismo pode ser definido como escola literária a partir dos últimos 25 anos do século XVIII. A Alemanha é o local onde surge esta tendência, onde Goethe escreve Werther, em 1774, uma obra que apresenta o sentimentalismo romântico e escapismo pelo suicídio, característica da época. Também escreve Fausto, obra que narrava a história do homem que vendia a alma ao Diabo em troca de conhecimento. Schiller publica os salteadores, em 1781, reapresentando o passado histórico e também escreve Guilherme Tell, a respeito de uma personagem que se torna herói nacional, lutando pela independência.
Na Inglaterra, aonde o Romantismo chega depois da Alemanha, manifesta-se nos primeiros anos do século XIX, com destaque para Lord Byron, com sua poesia ultra-romântica, o teórico do spleen (baço, de onde provinha o humor). Walter Scott escreve Ivanhoé, em 1819, romance histórico.

Momento histórico

1. Revolução industrial - produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a derivada do petróleo. O transporte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.

2. Independência dos EUA (1776) – os ideais de independência (muito por conta da economia) provocaram o sentimento de libertação da Inglaterra, que obrigava a colônia a comercializar apenas com a metrópole.

3. A Revolução Francesa – Robespierre e companhia concluem o movimento de derrubada do regime monarquista, guilhotinando Luis XVI e Maria Antonieta. Houve também a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

4. Ascensão e queda de Napoleão Bonaparte – herói da revolução, hábil estrategista foi galgando postos até ser auto proclamado Imperador. Sua vontade de dominar o mundo fez países tremerem e revidarem. Ironicamente contribuiu para o progresso brasileiro.

5. A vinda da família real ao Brasil – pressionados pela iminente invasão francesa e com o “apoio” da Inglaterra, D. João VI (na época ainda príncipe) parte numa viagem de quase dois meses, chegando à Bahia, depois ao Rio de Janeiro.

6. Retorno de D. João VI a Portugal, independência do Brasil e governo de D Pedro II. D. Pedro I, meio entediado e pressionado pelos brasileiros declara independência, enfrenta resistência portuguesa e depois brasileira por conta de um governo autoritário e pouco preocupado com os brasileiros. Parte para Portugal a fim de manter a filha no trono. Consegue e logo falece, aos 34 anos. O país passa pelo período de regências até D. Pedro II assumir o trono aos 14 anos e meio.

Inicialmente, romântico era tudo aquilo que se opunha ao clássico. Ou seja, os modelos da Antiguidade Clássica formam então substituídos pelos da Idade Média (nos últimos séculos); a arte é de caráter popular, que valoriza o folclórico e o nacional; o indivíduo passa a ser o centro das atenções, apelando para a imaginação e para os sentimentos, do que resulta uma interpretação subjetiva da realidade.
Quanto à forma, a literatura romântica se desvincula completamente dos padrões e normas estéticas do Classicismo. O verso livre, sem métrica e sem estrofação, e o verso branco, sem rima, caracterizam a poesia romântica, prevalecendo, assim, o “acento da inspiração”. Em relação ao conteúdo, os românticos cultivavam o Nacionalismo, que se manifestava na exaltação da natureza pátria, no retorno ao passado histórico e na criação do herói nacional (belos e valentes cavaleiros medievais, civilizados; no caso brasileiro, os índios). Da exaltação do passado histórico nasce o culto à Idade Média, que, além de representar glórias e tradições do passado, assume o papel de negar os valores da Antiguidade Clássica, como o paganismo. O romântico promove uma volta ao catolicismo medieval: “na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, o os prodígios do Cristianismo’, como afirma Gonçalves de Magalhães.
A natureza também assume múltiplos significados: ora é uma extensão da pátria, ora é um refúgio à vida atribulada dos centros urbanos do século XIX, ora é um prolongamento do próprio poeta e de seu estado emocional.
Outra característica marcante do Romantismo, e verdadeiro “cartão de visitas” de todo o movimento, é o sentimentalismo, a supervalorização das emoções pessoais: é o mundo interior que conta, o subjetivismo. E à medida que esse aprofundamento em direção ao eu se intensifica, cultivando o individualismo e o pessoalismo, perde-se a consciência do todo, do coletivo, do social. A excessiva valorização do eu gera o egocentrismo, segundo o qual os poetas românticos se colocavam como centro do universo. Evidentemente, surge aí um choque entre a realidade objetiva e o mundo interior do poeta. A derrota inevitável do ego produz um estado de frustração e tédio. Seguem-se constantes e múltiplas fugas da realidade: o álcool, o ópio, as “casas de aluguel” (os prostíbulos), a saudade da infância, as constantes idealizações da sociedade, do amor, da mulher. O romântico, enfim, foge no tempo e no espaço – temos assim a evasão romântica. No entanto, essas fugas têm ida e volta, exceção feita à maior de todas as fugas românticas: a morte.
Já no final do Romantismo, notadamente na década de 1860, desenvolve-se uma literatura de caráter mais social, a partir das transformações econômicas, políticas e sociais que atingem toda a Europa (2ª Revolução Industrial, publicação do manifesto do Partido Comunista, movimentos populares). A literatura passa a refletir as grandes agitações, que em Portugal, explodem na famosa Questão Coimbrã; no Brasil, a luta abolicionista, a Guerra do Paraguai e o ideal republicano resultam na poesia social de Castro Alves. No fundo, era uma transição para o Realismo.

Principais escritores românticos brasileiros

Gonçalves Dias: principal poeta romântico e uns dos melhores da língua portuguesa, nacionalista, autor da famosa Canção do Exílio, da nem tão famosa, mas muito melhor I-Juca-Pirama e de muitos outros poemas.

Álvares de Azevedo: o maior romântico da Segunda Geração Romântica; autor de Lira dos Vinte Anos, Noite na Taverna e Macário.

Castro Alves:grande representante da Geração Condoreira, escreveu, principalmente, poesias abolicionistas como o Navio Negreiro.

Joaquim Manuel de Macedo, romancista urbano escreveu A Moreninha e também O Moço Loiro.

José de Alencar, principal romancista romântico. Romances urbanos: Lucíola; A Viuvinha; Cinco Minutos; Senhora. Romances regionalistas: O Gaúcho, O Sertanejo, O Tronco do Ipê. Romances históricos: A Guerra dos Mascates; As Minas de Prata. Romances indianistas: O Guarani, Iracema e o Ubirajara.

Manuel Antônio de Almeida: romancista urbano, precursor do Realismo. Obras: Memórias de um Sargento de Milícias.

Bernardo Guimarães: considerado fundador do regionalismo. Obras: A Escrava Isaura; "O Seminarista"

Franklin Távora: regionalista. Obra mais importante: O Cabeleira.

Visconde de Taunay: regionalista. Obra mais importante: Inocência.

Sugestões de filmes: O patriota (uma bela propaganda ianque de sua independência); Os miseráveis (antes, durante e depois da Revolução Francesa), Carlota Joaquina, princesa do Brasil (visão bem-humorada e até exagerada da vinda da família Real ao Brasil)

Música: (mais antigos representantes) - Robert Schumann, Frédéric Chopin, Franz Liszt e Richard Wagner (contemporâneos) - Guilherme Arantes, Djavan e Vanessa da Mata.

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