sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Barroco multimídia

No período do Renascimento o homem acreditava ser o senhor absoluto da terra, dos mares, da ciência e da arte. O sentimento afirmava, por meio da razão, que ele podia tudo. Aonde isso levou? No século XVII, devido a vários acontecimentos religiosos, políticos e sociais, valores religiosos e espirituais retornam, convivendo com valores renascentistas.

Esse dualismo, contradição nos pensamentos e expressões artísticas podemos chamar de Barroco. Assim sendo, vamos conhecer as condições em que vivia o homem da época, na Europa e no Brasil - Colônia.

Em 1517 a Reforma divide a Igreja entre católicos e protestantes; em 1540 é fundada a Companhia de Jesus, ordem religiosa que envia missionários a vários continentes; 1563 a Igreja inicia a contrarreforma, na tentativa de impedir a expansão da Reforma. Nesse ambiente o Renascimento europeu desenvolve-se permeado de crises religiosas e movimentos de restauração da fé cristã. O Barroco surge na passagem do século XVI para XVII, apresentando a religião na vida cotidiana.

Desta forma, a arte barroca, que vigora durante o século XVII, chegando às primeiras décadas do século XVIII, mostra o espírito contraditório de uma época que divide entre as influências do Renascimento – o materialismo, o paganismo e o sensualismo – e da onda de religiosidade trazida, sobretudo pela Contrarreforma. Resultado dessas influências, a arte barroca é a expressão de contradições e do conflito espiritual do homem da época. Certos princípios artísticos do Renascimento, como equilíbrio, harmonia e racionalismo, foram abandonados, o que levou o Barroco ser visto como uma arte indisciplinada.

O Barroco possuía outros nomes: na Itália, Marinismo, por influência do poeta Giambatista Marini; na Espanha, Gongorismo, por influência do poeta Luís de Gôngora y Argote. Nesse país, Barroco e Gongorismo são palavras sinônimas; na França, Preciosismo, em razão do requinte formal dos poetas; na Inglaterra, Eufuísmo, termos criado a partir do título do romance Euphes, or the anatomy of wit, do escritor John Lyly.

A linguagem barroca – é a expressão das idéias e dos sentimentos do artista do século XVII. Seus temas e sua construção combinam-se para expressar a concepção barroca do mundo.

As características barrocas:

1. Efemeridade do tempo e o carpe diem – a vida é passageira, então temos de pensar na salvação espiritual. Como a vida é passageira, sente, ao mesmo tempo, vontade de aproveitá-la com prazeres, o que contradiz a religião;

2. Cultismo – rebuscamento formal, caracterizado pelo jogo de palavras e excesso de figuras de linguagem. Conhecido também por gongorismo. Explora efeitos sensoriais, tais como cor, tom, forma, volume, sonoridade, imagens violentas e fantasiosas.

3. Conceptismo – jogo de idéias, construído pelas sutilezas do raciocínio e do pensamento lógico, por analogias, etc.

4. Jogo de claro-escuro – é mais visível nas artes plásticas. O Barroco aprecia fundir a luz à sombra, a fé à razão ou a razão à emoção/sensação.

O Barroco português e brasileiro são influenciados pelo movimento de renovação religiosa introduzida pela contrarreforma. Portugal vivia um momento delicado de sua história, já que passara ao domínio espanhol de 1580, com o desaparecimento do rei D. Sebastião na guerra. O melhor do Barroco português são os sermões de Pe Antônio Vieira, que também viveu e escreveu no Brasil. Em nosso país não havia um grupo expressivo de escritores nem de leitores. Apesar disso, temos Gregório de Matos, escritor de qualidade.

Embora religioso, Vieira nunca foi restrito à pregação religiosa. Também foi defensor de causas políticas as quais criaram indisposição a muita gente: com os pequenos comerciantes, com os colonos que escravizavam índios até com a Inquisição. No púlpito pregou a índios, brancos e negros, a brasileiros, africanos e portugueses, a dominadores e dominados. Suas idéias políticas foram postas em prática por meio da catequese, da defesa do índio e da colônia, em favor de Portugal, por ocasião da invasão holandesa.

A obra considerada introdutória ao barroco brasileiro foi Prosopopéia, de Bento Teixeira, em 1601, obra que procura imitar Os lusíadas. Na poesia temos Gregório de Matos, Bento Teixeira, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica. Na prosa o Pe. Antônio Vieira, Sebastião da Rocha Pita e Nuno Marques Pereira.

Gregório de Matos (1633-1693) é o maior poeta barroco brasileiro e um dos fundadores da poesia lírica e satírica em nosso país. Nascido em Salvador, estudou no colégio dos jesuítas e depois em Coimbra, onde cursou Direito, tornou-se juiz e ensaiou seus primeiros poemas satíricos. Retornando ao Brasil em 1681, foi tesoureiro-mor e vigário-geral. Devido as suas sátiras foi perseguido pelo governador baiano Antônio de Souza Menezes, o Braço de Prata. Depois de casar com Maria dos Povos e exercer a função de advogado, saiu pelo Recôncavo baiano como cantador, dedicando às sátiras e aos poemas erótico-irônicos, custando alguns anos de exílio em Angola. Voltou doente ao Brasil e, impedido de entrar na Bahia, morreu em Recife. Era também chamado de “Boca do Inferno”.

Gregório de Matos passou por três fases literárias: Lírica, Religiosa e Sátira.

Vídeo exemplo: Noturno, de Fagner, com características barrocas.

Sugestões:

Vídeos – O homem da máscara de ferro, de Randall Wallace; As bruxas de Salém, de Nicholas Hytner.

Livros – Os sermões, de Pe Antônio Vieira (editora Cultrix); Antologia poética de Gregório de Matos (Ediouro).

Música – Antonio Vivaldi, Johann Sebastian Bach e George Friedrich Haendel.

Visite – Centro histórico-religioso de Itapissuma, Itamaracá, Olinda e Recife. A Igreja de Matriz da Luz, em São Lourenço da Mata.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...