Introdução:
Nos idos de 1700 temos o início e a propagação do arcadismo na Europa e Brasil, escola literária enfática na mudança do pensamento barroco da época, além de propagar as idéias iluministas. O século das luzes, bastante alardeado pela burguesia européia repercutiu também na Revolução Francesa (muito mais uma revolução deste grupo, que tentou eliminar os privilégios de posição social). A decadência barroca – já cansara o público leitor e produtor, com seus exageros e extremismo religioso contribuiu para a ascensão burguesa. Este momento experimenta as primeiras arcádias (associações, grupos poéticos) na procura da simplicidade e pureza das formas clássicas. Em combate ao poder monárquico (ancien régime) a teoria do bom selvagem (Rosseau). A luta pelo poder político está instalada.
O Arcadismo é reformista no ensino, hábitos, artes, sociedade. Em Portugal, no ano de 1756 é criada a Arcádia Lusitana, início do movimento árcade luso; termina em 1825, com a publicação de “Camões”, obra de Almeida Garret. No Brasil, o movimento iniciou em 1768 na criação da Arcádia Ultramarina, também com a produção de Obras, pertencente a Cláudio Manuel da Costa. Em terras brasileiras o movimento dura até a vinda da família real portuguesa, em 1808, início do período de transição.
Momento histórico:
No século XVIII há um momento de ascensão e domínio da burguesia na Europa, principalmente na Inglaterra, França, com predomínio na economia do Estado, comércio marítimo e bancos. A polêmica religiosa, perdida nas discussões teológicas e perseguição desacredita os teólogos. Duas manifestações são evidentes no pensamento setecentista: encontro amaneirado com a natureza e tradição Clássica; momento ideológico secular / governamental – a burguesia critica os abusos da nobreza e do clero.
Em 1748 – Montesquieu publica O espírito das leis, dando idéia da divisão dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Voltaire apresenta o pensamento da monarquia esclarecida, onde o governante é um rei filósofo reformador e benfeitor social. 1751 Os franceses Diderot e D’Alembert confeccionam a Enciclopédia, livro que objetivava mostrar a razão, o progresso e a ciência. Jean-Jacques Rosseau, autor de O contrato social e Emílio apresenta a teoria do bom selvagem, melhor que o mal civilizado.
É nesse ambiente que se desenvolve o Iluminismo – despotismo esclarecido, governo forte, capitalismo prático, burguesia participando da sociedade – sementes para a Revolução francesa. Em Portugal, entre 1750-1777 D. José I comanda o país, rei fraco, criado num ambiente de pouca responsabilidade e obscurantismo religioso. Se alguém quisesse falar mal da perseguição religiosa e falta de cultura citaria o país luso. Assume então, após duas catástrofes (terremoto e maremoto) como primeiro ministro, o Marquês de Pombal, este expulsa os jesuítas das colônias em 1759, culminando com o fim da educação religiosa associada à secular.
No Brasil o Arcadismo foi chamado de Escola mineira, devido às manifestações literárias terem partido de Minas Gerais – geográfica, política e historicamente.
Características:
Carpe diem (aproveitar o dia) – lema que visava tirar o máximo que a vida campestre pode oferecer. Fugere urbem (fugir da cidade) – inspirados no poeta Horácio, os escritores e população eram convidados a buscar uma vida no campo, onde a inocência não havia sido destruída. A teoria do bom selvagem – Rosseau defendia que o homem nascia bom e a sociedade o corrompia. Locus amoenus (lugar tranqüilo) – em oposição aos centros urbanos tumultuados era necessária uma vida bucólica, pastoril. Inutilia truncat (cortem-se as inutilidades) – uma vez que no Barroco era ressaltado o exagero na literatura, no Arcadismo buscavam-se palavras mais simples, mas não simplórias. A ênfase na vida rural não era uma realidade, mas um “estado de espírito”, ideologia, fingimento poético. Os poetas usavam pseudônimos, principalmente para não serem descobertos quando suas publicações atacavam inimigos políticos e governamentais.
Autores brasileiros:
Frei Santa Rita Durão (1722-1784), autor do poema épico Caramuru; Cláudio Manuel da Costa; Basílio da Gama (1741-1795), autor do poema épico O Uraguai; Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810), autor de Marília de Dirceu e Cartas Chilenas; Inácio José de Alvarenga Peixoto; Manuel Inácio da Silva Alvarenga; Silva Alvarenga (1749-1814), autor de Glaura.
Vídeo exemplo: Vida boa, como Victor e Leo
Sugestões:
Assista: A Missão, filme que mostra e expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas. Você encontrará também elementos barrocos.
Ouça: Casa no campo, de Zé Rodrix.
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